Ambos os caminhos me eram
desconhecidos e nem mesmo as placas me informavam verdadeiramente! Setas indicando
a direção de um endereço não dizem muitas coisas, dizem-nos apenas onde se
encontra um lugar, mas não diz o que encontraremos lá!
Aceitei então o pensamento de
repousar nas margens desta divisão e ponderar os ventos que cada lado me
oferecia!
Sentei-me a sombra de uma
árvore, fiz brilhar a minha lâmina e desnudei uma laranja.
Frutos magníficos são as
laranjas, às vezes vestidas com uma pele lisa, noutras com uma porosa casaca de
si mesma. Sempre ácidas no seu despir e sempre pálidas ao apresentar suas
carnes. Logo nos primeiros beijos um doce característico me escorria boca à
dentro.
Sentado naquela sombra,
bebendo desse fruto, me maravilhei com as inúmeras sementes do fruto que me
permitia o prazer. Tantas sementes neste fruto, tantas sombras nestas sementes
e tantos outros frutos em cada uma delas! A natureza é majestosa em seus
processos!
Um pouco mais tarde, enquanto
ainda contemplava a natureza e seus presentes, vi um viajante surgir do caminho
a esquerda.
Ele trajava vestes de gala,
muitos brilhantes, cabelo impecável, pele límpida e um olhar altivo. Parecia-me
alguém de muitas posses, seu caminhar era majestoso.
Ao ver-me sentado no solo
fresco, pareceu-me espantado, como se suspeitasse da minha presença ou da minha
pessoa. Ofereci-lhe um cordial bom dia e ele me respondeu acanhadamente!
Quis saber o que havia no
caminho em que ele abandonava e nada foi me dito. Continuou sua jornada como se
eu nada tivesse questionado.
Certamente era um homem de
muitas posses, a riqueza limita a cordialidade com pessoas que aparenta
inferioridade de status. Sei bem a aparência que tenho agora, mas também sei
que não poderia apresentar-me de modo diferente, tudo que tenho é o que me
oferta o mundo, ar nos meus pulmões, força nas minhas pernas e um caminho para
meus passos!
Lembrei-me dos muitos nobres
que vi, de como se admiravam com a maestria do meu domador e seu chicote, como
se sentiam satisfeitos de assistirem a submissão de um ser à outro!
Enquanto eu ainda me apiedava
dos nobres e ignorantes que me observavam anteriormente, avistei um outro
viajante, desta vez no caminho da direita.
Era um homem comum, levando
apenas o que precisava levar, com vestes confortáveis e sem brilho. Um olhar
leve e brando. Este me ofereceu sua cordialidade antes que eu lhe oferecesse a
minha e ainda questionou-me se eu precisava de algum auxilio!
Respondi que bastava que me
informasse o que havia no caminho que deixava para trás e em resposta ele me
disse que no fim daquela estrada morava o mundo e que no caminho haviam muitos
outros mundos!
Como se ele também estivesse a
procura de algo novo, quis saber o que eu deixava para trás nos caminhos de
onde vim. Ao ouvir o que eu contei, achou melhor enveredar-se pela floresta e
perdeu-se mata à dentro!
Eu teria feito o mesmo!
Aprontei minha magra bagagem e
sai rumo aos mundos do mundo!
Logo antes do primeiro passo
no meu novo caminho, vi um grupo de outros homens surgirem do caminho a
esquerda. Eles pareciam preocupados, com seus olhares investigativos e sem a
menor cerimônia perguntaram-me se eu havia visto um homem rico passar por ali.
Quando eu disse que sim, suas pupilas se
iluminaram de esperança e com pressa me questionaram sobre a direção que tal
viajante havia tomado.
Então lhes disse que fazia
pouco tempo que ele havia passado e que para dentro da floresta ele se
direcionado.
Eu os assisti correr e fiz
valer meus passos curiosos no caminho do novo mundo!




